da lembrança da presença do amigo
resta um silêncio ocre
tal como o que ele sempre assumia
quando falavam como algo corriqueiro
da vivência do odeon
ou a vivência do filme rodado em casa
viver o filme é necessidade
tudo cessava quando a experiência de um filme se fazia
tudo desligava na presença da imagem-som
o silêncio que resta continua a cena
num plano-sequencia infinito
nostalgico, sem tempo como se conhece
o tempo inexiste na falta.
dissipa até ser nada
ser um espaço de possibilidade
um lugar ermo que se somente rememora.
*DISCURSO*
E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas...
